Uma parte da história recente, no formato como foi reescrita pelo
pensamento petista, indica que a economia brasileira iniciou um ciclo virtuoso
em 2004 e que nele pode permanecer. A chave estaria no gasto. Os indivíduos
deveriam permanecer gastando, para isso todo um conjunto de medidas foi tomado
no sentido de garantir o crédito ao consumidor. O Estado deveria permanecer
gastando.
Evidentemente a permanência do ciclo, apesar da crise
internacional, seria a vitória final e a garantia não só da intocabilidade da
imagem de Lula, como a eleição de um sucessor saído do círculo palaciano. Ou,
como disse Lula recentemente: ?-Perdoem meus amigos da oposição, mas nós vamos
ganhar...?.
Desfrutando de férias na paradisíaca Fernando de Noronha, talvez
Lula tenha dito o que disse com o pensamento voltado para a tese do ciclo
virtuoso. Ao criticar os novos prefeitos que decidiram iniciar suas gestões com
cortes no orçamento público fez um diferencial entre gastos de custeio e gastos
de investimento, sugerindo que cortes nesse último seriam prejudiciais, já que:
?...Nós vamos combater essa crise internacional fazendo mais investimento, mais
ferrovia, mais rodovia, mais escola. Porque é assim que a gente combate a
crise.?( Correio Braziliense, 03.01.2009).
Vistas as coisas como uma opção possível entre dois tipos de corte
é evidente que seria melhor um corte no custeio. Também é evidente que o
investimento em infra-estrutura tem externalidades positivas de longo prazo que
não podem ser desprezadas. Sendo assim: ?Não acho que nenhum prefeito,
governador, e muito menos o governo federal, deva parar qualquer obra de
infraestrutura.? (sic- matéria já citada). Colocado nesse formato o raciocínio
parece válido. Contudo, da mesma forma que o estímulo ao consumo individual
pode soar como irresponsabilidade, o estímulo ao gasto, mesmo em investimento,
tem que ser avaliado à luz da possível queda de receita dos municípios. A opção
de cortar impostos e não contribuições, feita pelo governo federal, como forma
de utilizar o corte de tributos como estímulo à venda de automóveis, por si só
já implica em redução de transferência para estados e municípios.
Talvez o presidente tenha dito o que disse de olho no PAC e na
necessidade de garantir remanejamento de recursos, mesmo que às custas das
emendas parlamentares. Talvez perceba mesmo a necessidade de um diálogo direto
entre a entidade nacional e as subnacionais. De qualquer forma, quando for
falar a prefeitos, no próximo dia 12 de fevereiro, deverá estar preparado para
responder a cada um deles de onde sairão os recursos para manter os
investimentos em infra-estrutura nos municípios brasileiros.
Falar em manter gastos
governamentais em qualquer nível federativo implica, nesse momento, em explicar
de onde virão os recursos. A insistência em manter o Fundo Soberano mesmo que
para isso seja necessário cria dívida pública dá uma pista.
Demetrio
Carneiro
ALTERNATIVA BRASIL NOS SEUS FAVORITOS
NOSSOS BLOGS
INSTITUCIONAIS
ALTERNATIVA LÊ
Comentários(0)