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30 de julho de 2010
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Volpon: "Brasil terá uma posição de destaque"


04 de junho de 2009




Leia mais: entrevista economia Tony Volpon

Por:
Volpon:



Ainda este mês, o portal Alternativa Brasil vai abrir um ciclo de seminários na Câmara dos Deputados, trazendo propostas para o momento pós-crise econômica e para as eleições de 2010.

Para subsidiar as discussões, apresentaremos entrevistas com analistas políticos e econômicos, que vão fomentar os temas a serem debatidos nesses encontros.

Esta semana, conversamos com Tony Volpon, articulista do portal, que trouxe algumas impressões sobre o cenário econômico atual e as perspectivas para o Brasil no futuro próximo. Volpon acredita que o país só terá uma posição proeminente no novo cenário econômico atual se abandonar o que ele chama de "visão neo-mercantilista" vigente no governo atual.

 

Alternativa Brasil - Você acredita que já podemos falar num "pós-crise"? A crise financeira mundial já ultrapassou sua fase mais aguda ou estamos ainda no meio do furacão?

Tony Volpon - Acho que temos que melhor definir o termo "crise". Se por crise queremos dizer o risco de cair em uma grande depressão global, parece que essa crise acabou. O conjunto de medidas aprendidas pelos governos ao redor do mundo parece ter acabado com esse risco. A pergunta mais interessante, que merece pesquisa futura, é porque se acreditou nesse risco em algum momento. Agora existe outra "crise" que é mais complexa e vai ser mais duradoura, que pode ser vista por duas perspectivas distintas. Uma é a falta de demanda no mundo devido a um excesso de endividamento no setor privado e, agora, no setor publico. A outra é a queda dos EUA como poder econômico e o "gerenciamento" geopolítico dessa decadência. Na verdade são questões interligadas já que os EUA foram a grande fonte de demanda "final" no mundo nesses últimos anos.


Alternativa Brasil - A partir da estatização da GM nos EUA, como você analisa o atual cenário "pseudo-desenvolvimentista" na economia? Você acredita que o auxílio estatal a empresas em dificuldades pode piorar a situação no médio ou longo prazo?

Volpon - Como tudo na vida depende como é feito, a questão da GM tem duas dimensões. Do ponto de vista americano, uma quebra desorganizada teria efeitos nefastos sobre toda a economia, o que não seria bom nesse momento. A segunda é que o setor globalmente tem um problema terrível de supercapacidade, e o que estamos vendo é varias companhias/países se posicionando para tentar fazer o outro cortar sua capacidade. Apoio estatal, nesse sentido, retarda esse necessário ajuste, onde podemos ver não necessariamente o menos eficiente sair do mercado, mas o que levou menos ajuda estatal.

Alternativa Brasil -
Partindo do pressuposto que a intervenção estatal na economia não é o melhor caminho, qual seria a solução para evitar novas quebras de grandes empresas no decorrer da crise? Quais medidas os governos deveriam tomar?

Volpon - Se acreditarmos que toda a empresa "grande" tem efeitos sistêmicos sobre a economia, aí caímos no absurdo de concluir que, na prática, nenhuma empresa grande pode quebrar. Acho que isso é o grande problema da atuação do governo Obama, mas ao mesmo tempo dá para entender que frente uma possível depressão, existe uma tentação muito grande em querer salvar todo mundo (grande). O que deve ser feito - e receio que isso não vai ser feito dado a clara tentativa do governo Obama de simplesmente "voltar à normalidade" - é rever a estrutura regulatória e competitiva, para não mais deixar que buracos negros financeiros como AIG e GM sejam criados. Mas acho o sucesso que os bancos já estão tendo nos EUA em barrar medidas de reformas mostra que o governo Obama não vai enfrentar essa questão.
 
Alternativa Brasil -  Quais os caminhos para o Brasil neste cenário? É possível retomarmos o crescimento da economia brasileira num médio prazo e assumirmos uma posição proeminente no cenário internacional, tal como acontece com a China?
 

Volpon - O Brasil vai ter uma posição de destaque pelo seu tamanho e os recursos naturais que contém, independente da qualidade de suas políticas. Agora poderíamos ter uma atuação mais determinante na formulação do mundo pós-EUA se conseguirmos abandonar a visão meramente neo-mercantilista do governo Lula. A questão da transição para um ordem financeira internacional pós-dólar americano já está sendo colocada pelos chineses, e o Brasil pode e deveria entrar nesse debate e nessa construção, inclusive tornando o Real uma moeda conversível, para ser uma das moedas "fortes" em um mundo multipolar. 

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