Copom surpreende mercado e corta Selic em 1 ponto, para 9,25%
O Banco Central (BC) surpreendeu o mercado ontem. Contrariando a maioria das previsões, a instituição manteve o ritmo de alívio na política monetária e cortou o juro básico da economia (Selic) em 1 ponto porcentual, para 9,25% ao ano. A maioria das previsões apontava redução de 0,75 ponto. Com o quarto corte seguido, o Brasil passa a ter Selic de um dígito pela primeira vez desde que a taxa foi criada, em 1986. As próximas decisões, porém, devem ser mais comedidas. Em nota, o BC disse que passará a agir de maneira "mais parcimoniosa".
A decisão não foi consensual. Dos oito votos, seis foram favoráveis a 1 ponto e dois optaram por 0,75 ponto. A manutenção do ritmo do corte praticado em abril foi, segundo o BC, tomada "tendo em vista as perspectivas para a inflação".
Em outras palavras, o BC avalia que há espaço para um corte agressivo porque a inflação está dentro da meta de 2009 (4,5%) e também para 2010 (também de 4,5%), levando em conta as expectativas dos analistas ouvidos pelo banco na pesquisa Focus.
Em uma nota maior que a habitual, o BC lembrou que o corte "tem efeitos sobre a atividade econômica e a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo". Com isso, "o Comitê afirma que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa".
A expectativa de um corte de 1 ponto perdeu força entre os analistas após a divulgação de números melhores que o previsto sobre o PIB, na terça-feira. Além disso, analistas citavam declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles, de que a economia o pior da crise foi deixado para trás.
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