Algum tempo atrás, bem lá no início da crise, propusemos o corte de impostos como política de combate à crise. Naquele momento nossos desenvolvimentistas keynesianos, de todos os matizes, respeitando a avaliação de Nakayama, defendiam ferrenhamente o gasto público. Em nossa argumentação pró-corte questionávamos a qualidade do gasto, basicamente em custeio e comentávamos que haveria uma inevitável queda de receita que acabaria por limitar a capacidade de expansão por esse lado.
Naquele momento poucos prestaram atenção em nossas afirmações e houve quem nos criticasse pelo irrealismo da proposta.
Posteriormente o presidente do PPS, Roberto Freire, lançou uma nota na mesma linha. Que repercutimos aqui no Portal. Também foi criticada. Logo em seguida, acho que não passou uma semana, o governo adotou a sugestão, pelo menos em parte e fez cortes seletivos no IPI. Na época a oposição não se creditou pela proposta. Assim como não se credita agora. Talvez preocupada com aumento do consumo das famílias num momento de crise, mas algumas escolhas devem ser feitas para manter a economia num ritmo mínimo de atividades e entre gastar de forma ineficaz ou cortar impostos para estimular o consumo, a última proposta realmente tinha mais sentido.
Passado o tempo algumas coisas ficaram muito claras: O gasto foi pouco efetivo em manter a economia. Se houve alguma sustentação ela veio da área do consumo das famílias. À parte essa discussão do endividamento, seus limites ou a irresponsabilidade das autoridades ao propor um consumo indiscriminado tipo "comprem...comprem...", o fato é que a sustenção do "menos ruim dentro do pior" deu-se graças ao corte dos impostos. E é o reconhecimento disso que leva o governo, mesmo frente a uma redução de receita, a manter os impostos.
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