Dando prosseguimento à série de entrevistas que o portal Alternativa Brasil vem realizando, a respeito do cenário pós-crise, conversamos com o jornalista Deco Bancillon, do Correio Braziliense. Repórter da área de economia do tradicional diário da capital federal, Bancillon acredita que ainda não se pode falar num "pós-crise", mas destaca algumas medidas positivas adotadas pela equipe econômica do governo.
ALTERNATIVA BRASIL - Já podemos falar num cenário de "pós-crise"? A crise financeira mundial já ultrapassou sua fase mais aguda?
BANCILLON - De forma alguma. Mesmo porque não há consenso no mercado que aponte, até mesmo, que tenhamos vencido qualquer etapa da crise. As contas públicas de todas as economias atingidas (incluindo a brasileira) vai na contramão da solvência. Vê-se o exemplo dos resultados do tesouro brasileiro, que registra aumentos ininterruptos da dívida desde o estouro da crise. Acresce-se a isso a queda brutal de R$ 66 bilhões na arrecadação federal, que já até interferiu nos resultados do superávit.
ALTERNATIVA BRASIL - No atual cenário "desenvolvimentista", o auxílio estatal a empresas privadas em dificuldades, como fez o governo americano com bancos e montadoras, pode piorar a situação no médio ou longo prazo?
BANCILLON - A política do subsídio é sempre daninha. E o desenvolvimentismo é fruto dessa liberação intercontinental. Mas há de se convir que aparelhamento do estado tem se mostrado eficiente no Brasil. Há menos de 10 anos falava-se em privatizar a Petrobras, bancos regionais e a Eletrobrás. A primeira empresa contribui hoje com a maior fatia de impostos aos cofres públicos, boa parte dos bancos regionais mostraram-se mais competitivos do que outros tantos privados, assim como a Eletrobrás, que conseguiu equacionar suas contas e hoje comemora bons resultados inclusive em Wall Street.
ALTERNATIVA BRASIL - Como você analisa as medidas do governo brasileiro para aquecer a economia? A reação do Banco Central tem sido adequada?
BANCILLON - A equipe econômica (extremamente ortodoxa) do presidente Lula tem, sim, acertado em suas decisões para conter a crise no Brasil. Acertou ao liberar os compulsórios (mesmo que esses ainda não tenham refletido numa maior disponibilidade dos bancos em emprestar) e na condução da política monetária, reduzindo a Selic para o menor patamar da história brasileira, para 9,25% ao ano. Acertou também ao adotar políticas anticíclicas de desoneração e renúncia fiscal, o que destravou o crédito (recorde histórico em março e maio) e impulsionou a retomada do consumo. Mas errou ao não dar sequência às reformas que o país necessita, como a política e, sobretudo, a tributária.
ALTERNATIVA BRASIL NOS SEUS FAVORITOS
NOSSOS BLOGS
INSTITUCIONAIS
ALTERNATIVA LÊ
Comentários(0)