Ver publicidade [+]
30 de julho de 2010
Bem vindo, visitante (Entrar | Registrar)

José Carneiro

jneto@ucb.br
Graduado em economia,28 anos, é mestre em economia (UCB) e doutorando em administração (finanças) pela UnB. Ex-professor de finanças do Departamento de Administração da UnB, atualmente é professor do Departamento de Economia da Universidade Católica de Brasília e gestor de risco da Portfólio Investimentos.


Empresários, Liberdade, Livre Iniciativa e Trabalhadores


04 de julho de 2009




Leia mais:


Neste post dou início às respostas aos questionamentos que recebi no começo do mês passado. Novamente me desculpo pela demora, mas o fim do semestre na UnB e na UCB, somado ao fato de estarmos, na Portfólio, estruturando um novo fundo multimercado, impediram o desenvolvimento de textos que abordassem de forma apropriada as idéias necessárias ao esclarecimento dos questionamentos.

Acredito que todo economista razoável, e creio ser ao menos razoável, possua uma construção básica de economia, pois é a partir dela que o economista desenvolve suas conclusões e modelos mais complexos. Na ausência de um modelo básico bem definido, um economista tende a cometer vários erros de conclusão, provocados por uma constante e repudiável incoerência. Esse tipo de profissional pode até servir para produzir discursos bonitos, ou piadas agradáveis, mas dificilmente tem outra utilidade além de levar água e café para os economistas de verdade.

O modelo econômico tem outra função importante, permite que o economista distinga de forma clara o que são conclusões teóricas e o que são axiomas. É muito comum observar pessoas que em seus debates econômicos tomam conclusões teóricas como axiomas e desenvolvem idéias em claro conflito com a teoria que fundamenta a conclusão teórica assumida como axioma.

·         Meu modelo básico de economia

Numa economia capitalista, os agentes econômicos podem ser divididos em 3 grupos de ação. Um indivíduo pode pertencer a vários grupos ao mesmo tempo. Todos são sempre consumidores, muitos são também trabalhadores e empresários e outros são, além de consumidores, apenas trabalhadores ou empresários. A função básica da ação de cada grupo dentro de uma economia de mercado pode ser definida da seguinte forma:

i)             Consumidor: decide, de forma subjetiva, que tipo de comportamento, transformado em consumo e ação, melhor satisfaz sua busca por reduzir seu desconforto, ou maximizar sua satisfação.

ii)            Empresário: buscam enxergar que tipo de bens e serviços os consumidores irão desejar no futuro e que preços estarão dispostos a pagar. A partir daí escolhem que bens e serviços produzirão, o que determina que fatores de produção serão contratados e que preço poderão pagar por eles.

iii)           Trabalhador: Quando vantajoso, vende no mercado de trabalho suas capacidades e aptidões. A venda dessas capacidades e aptidões ocorre apenas quando é mais vantajoso trabalhar junto a uma equipe do que trabalhar sozinho. Sua remuneração dependerá de quanto suas aptidões e capacidades são capazes de prestar serviços úteis na produção de bens e serviços que aos consumidores desejam.

O grande responsável pela decisão de alocação de recursos na economia de mercado são os consumidores, não os empresários. Os últimos apenas tentam descobrir o que os primeiros irão desejar no futuro. Assim, os empresários mais bens sucedidos, por conseqüência mais ricos, são aqueles que conseguem atender da forma mais adequada possível os consumidores, segundo as própria preferências subjetivas dos consumidores.

A remuneração dos fatores de produção, incluso o trabalho, depende da produtividade desses fatores e da capacidade deles produzirem coisas que os consumidores desejam. Na presença de livre iniciativa e concorrência, se um trabalhador, que presta serviço a um empresário, recebe menos do que deveria dado sua capacidade produtiva, ele deixará o emprego e irá trabalhar para o concorrente. Se não for devidamente remunerado pelo concorrente, deixará o emprego e trabalhará sozinho. Nesse ponto é importante notar que, quando há livre iniciativa, o trabalhador só aceita um patrão se ganhar mais com isso do que ganharia ao trabalhar por conta própria.

Empresários não só concorrem na venda de seus produtos, também concorrem na compra dos fatores de produção, o que inclui o trabalho. Para produzir ele precisa dos melhores e mais eficientes fatores e apenas os que pagarem mais os terão. Porém, o valor que pode ser pago por esses fatores é limitado pelo que os consumidores estão dispostos a pagar pelos bens produzidos, logo um empresário não poderá, por mais que queira, pagar salários muito altos para seus funcionários, se os consumidores não estiverem dispostos a pagar mais pelos bens por eles produzidos.

Numa economia capitalista liberal, o consumidor é o imperador. É ele quem decide o quanto, como, quando e onde as coisas serão produzidas. É ele quem decide quais serão os preços e quem será rico ou pobre. O rico nada mais é do que alguém que prestou melhores serviços aos consumidores, que representam toda a sociedade. Sem a interferência do governo, os empresários são reféns dos consumidores, se, por um motivo ou outro, o rico e poderoso fabricante de calças deixa de ser capaz de atender da melhor forma possível os consumidores, em pouco tempo irá falir e outro, ou outros, que prestará/prestarão melhores serviços tomará/tomarão seu lugar. Não há Rei do aço ou do hambúrguer, nenhum empresário, sem apoio do governo, é capaz de fugir ou negligenciar sem grandes custos o verdadeiro Rei da economia capitalista, o consumidor.

Não há maior democracia que o livre mercado, destruí-lo é o primeiro passo rumo à ditadura e à servidão. O modelo institucional de um país deve preservar o livre mercado, a regulação econômica e a ação do governo devem zelar pela livre iniciativa e concorrência. Essa sempre foi e, ao menos fora do mundo dos sonhos e fantasias, será por muito tempo a forma mais efetiva e eficaz de desenvolvimento justo.

Nos próximos posts abordarei política monetária e seus mecanismos de transmissão e irei desenvolver melhor o modelo básico que acabo de apresentar. Outro ponto que será em breve abordado serão alguns axiomas falsos como: mais-valia, o empresário explora e o governo estimula a demanda agregada.

 

Abs

 

José Carneiro

Comentários(13)

Deixe seu comentário


Nome:*



Email:*



Site/Blog:



Comentário:*


Campos marcados com * são obrigatórios.

BOLETINS
INFORMATIVOS



ALTERNATIVA BRASIL NOS SEUS FAVORITOS

Adicione esta página nos seus favoritos

NOSSOS BLOGS

  • Adão Cândido
    Sociólogo,38,Brasília/DF. Áreas de interesse: Comunicação Política e Relações In...

  • Cláudio Vitorino
    Bacharel em História - UFPE com Pós-Graduação em História Econômica. Editor adju...

  • Demetrio Carneiro
    Brasilia, DF, 59, graduado em economia, especialista e pesquisador em políticas ...

  • José Carneiro
    Graduado em economia,28 anos, é mestre em economia (UCB) e doutorando em adminis...

  • Ruszel Cavalcante
    39, Promotor de Justiça do Estado do Piauí, especialista em relações internacion...

  • Sionei Ricardo Leão
    Atualmente é chefe de reportagem do Clicatv, do Jornal de Brasília, editor da Re...

  • Tony Volpon
    Tony Volpon é economista, com graduação na Universidade McGill e mestrado na Uni...


COMENTÁRIOS RECENTES
  • 0 : Inside him a boatwas on her mouth. Leia tudo | Leia o post
  • 0 : Leia tudo | Leia o post

  • INSTITUCIONAIS

    ALTERNATIVA


    Para comentar você precisa estar logado no site.


    Compartilhe!



    Caso seja mais de um amigo, separe os emails por vírgula.



    Alternativa Brasil - Desenvolvido por RBW