Na guerra de palavras e denúncias que assola o Senado, dois tucanos vêm tendo destaque. Um age de maneira mais emocional, aberta. O outro, atua nos bastidores.
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) é o homem do grito. Sem pudores de chamar de ladrões os dois ex-diretores do Senado denunciados recentemente no caso dos "atos secretos", Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, o tucano aposta em discursos virulentos e cheios de carga emocional para aproveitar a visibilidade que o caso vem tendo junto à opinião pública.
Virgílio é uma das vozes mais críticas do apoio de Lula ao presidente do Senado, José Sarney. Para o senador amazonense, Lula é refém do PMDB.
Outro tucano cuja atuação tem sido relevante nessa onda de acusações contra José Sarney é Tasso Jereissati (PSDB-CE). A imprensa já soltou notas dizendo que Sarney credita a Jereissati a responsabilidade por boa parte das denúncias que chegam à imprensa.
Sabe-se que Jereissati, outrora um desafeto de José Serra, hoje defende a candidatura do governador paulista à presidência da República em 2010. A derrocada de Sarney, além de trazer a suposta "crise na governabilidade" do governo Lula, poderia também minar o apoio do PMDB à candidatura presidencial da petista Dilma Rousseff. Por isso o empenho de Jereissati em promover a faxina ética no Senado - desde, é claro, que a poeira caia para o lado de Sarney.
Se Lula sabe que a atual crise do Senado faz parte do cenário sucessório do ano que vem, os tucanos também estão bem alertas.
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