E a infeliz frase de Lula, comparando senadores a pizzaiolos, pegou mal entre os profissionais que assam a suculenta massa...
"Pizzaiolo não rouba dinheiro público"
Não foram só os senadores que reagiram à declaração do presidente Lula, para quem a Casa tem "bons pizzaiolos". Ontem, o sindicato que representa a categoria em São Paulo distribuiu manifesto contestando Lula. Para os pizzaiolos, que se disseram indignados com o presidente, hoje em dia é uma ofensa ser comparado com um senador.
- Com quantos anos se aposenta um senador? Contribuo há 31 anos com a Previdência e vou ter que trabalhar mais cinco anos para me aposentar. Tudo graças a uma lei aprovada pelo Senado - reclamou José Vicente Garcia, 54 anos, pernambucano, que sustenta a família exercendo o ofício que nasceu em Nápoles, no século XIX. - E quando se ouviu falar de um pizzaiolo que tenha roubado dinheiro público?
Considerada a capital nacional da pizza, com mais de 6 mil casas do tipo, São Paulo foi o local escolhido para o protesto. "Não seria fantasioso qualificar o ofício de pizzaiolo como atividade artesanal. O profissional suporta as altas temperaturas do forno à lenha, (...) com a destreza de sempre se lembrar de individualizar cada matéria-prima para sua obra, a pizza (...), entregue aos clientes aguçando-lhes os sentidos como se também arte fosse", diz o manifesto, que será entregue ao Legislativo e à Presidência.
Fonte: Blog do Noblat
Pizzaiolos de ofício reclamam do presidente
Os pizzaiolos não gostaram das declarações do presidente Lula, quando os comparou a senadores que ele considera irresponsáveis, por abrirem CPIs que não dão em nada, ou, como se costuma dizer, acabam em pizza. Ontem, o sindicato paulista que representa esse grupo de trabalhadores chegou a divulgar nota de desagravo, na qual afirma que "uma profissão digna e que merece respeito de toda a sociedade" foi ofendida.
A nota é indignada. Diz que a conotação dada pelo presidente foi depreciativa. Assinala que a Constituição protege todas as categorias de trabalhadores e não se pode destinar a qualquer profissão nenhuma palavra "que não seja emprego, salário e um futuro digno". Lembra até que se trata se um "ofício secular, nascido em Nápoles", que "se ocupa de, democraticamente, produzir o alimento que sacia a fome de ricos e pobres".
Certo trecho parece ironizar as histórias que Lula adora contar, para todo tipo de plateia, sobre seu passado como torneiro mecânico - profissão hoje extinta, mas que já foi considerada das mais especializadas. Assim como o presidente, a nota exalta as técnicas dos pizzaiolos. "O profissional suporta as altas temperaturas do forno a lenha, numa luta incansável contra o tempo, com a destreza de sempre se lembrar de individualizar cada matéria prima..." E por aí vai. Logo adiante, já prevendo a desculpa de que a referência foi feita de forma impensada, sem a pretensão de ofender, o sindicato afirma que nem assim se justifica: "Não pode, quem quer que seja, lançar para o centro do debate, em um palco tão peculiar (o embate entre o Executivo e a oposição parlamentar) nenhuma qualificação que não diga respeito ao trabalhador."
Fonte: Estadão
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