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11 de março de 2010
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Demetrio Carneiro

demetrioccunhaoliv@gmail.com
Brasilia, DF, 59, graduado em economia, especialista e pesquisador em políticas públicas, professor universitário, coordenador de EAD da Fundação Astrojildo Pereira.


Indicadores para a avaliação de políticas sociais.


21 de julho de 2009




Leia mais: PNUD ODM indicadores sociais indicadores de percepção

Por:
Indicadores para a avaliação de políticas sociais.



Criticar ou defender políticas socias públicas com base em generalidades ou abstrações do tipo "é porque é" costuma ser bastante fácil. É basicamente uma questão de tempo para ficar debatendo e falta de assunto mais importante.
Para quem se interesse por ir mais além a questão de construir indicadores, a forma como são construídos tem enorme importância. Atualmente são muitas as propostas de indicadores que possam captar um dado momento social. Por conta da necessidade de avaliar de forma mais eficiente a evolução das metas estabelecidas pelos Objetivos do Milênio(ODM) a ONU - Organização das Nações Unidas , via PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento tem se esforçado em ações que possam melhorar a qualidade do indicador de IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. De um indicador nacional já passamos para o IDH-M que é um indicador local. DE IDH's construídos apenas nos Censos Nacionais, ou seja a cada 10 anos, já existe o uso da PNAD - Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio que se dá em intervalos de 2 anos. Ainda querendo captar uma imagem mais precisa o IDH sai da área dos números mais objetivos como mortalidade infantil, crianças nas escolas etc... para questões subjetivas. É o caso do tema "valor" como está descrito nas duas matérias abaixo, da Prima Página e veiculadas no site do PNUD. Há uma forte linha de trabalhos e propostas que levam em consideração o "olhar" daqueles que são objeto das políticas públicas. Enfim, consideram que não basta medir o acesso das pessoas às políticas públicas, mas que é preciso medir a "percepção" que elas têm destas políticas. Ai mais um debate que não rola.
Interessante notar que o órgão abre para pesquisadores(embora a notícia tenha sido veiculada no último dia do prazo de apresentação de trabalhos) e não pesquisadores recebendo indicações de entidades do movimento social ou do próprio governo e que estejam lidando praticamente com a questão. O processo deve desaguar num worshop, em Brasília, no final de agosto próximo. Seja lá como for não estamos lidando com uma caixa-preta completamente preta e isto é muito importante. A questão é se as entidades do movimento social saberão ou poderão paroveitar a oportunidade. A conferir no workshop.
Abaixo ambas as notícias. 

PNUD recebe estudos para compor o RDH
Brasília, 16/07/2009

Textos acadêmicos e descrições de projetos sobre o tema 'valores' vão ajudar a compor Relatório de Desenvolvimento Humano sobre o Brasil
MARIANA DESIDÉRIO
da PrimaPagina
Órgão que elabora o RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) do Brasil, o PNUD recebe até 20 de julho propostas de artigos acadêmicos relacionados ao tema "valores" e, até o dia 31, relatos sobre ações (políticas públicas ou projetos de organizações) voltadas a mudanças na sociedade. O material será utilizado para ajudar na composição do próximo relatório, a ser publicado até o inicio de 2010.
Pesquisadores e organizações responsáveis por trabalhos relacionados ao tema que enviarem os melhores relatos e propostas participarão de um workshop em Brasília, entre 24 e 25 de agosto, e podem ver seu trabalho publicado no RDH. O objetivo do evento é aprofundar a discussão teórica sobre o assunto, entender melhor como são formados os valores do brasileiro e conhecer ações de sucesso. As despesas da viagem a Brasília serão pagas pelo PNUD, assim como gastos com hospedagem, alimentação e transporte.
Após enviar a proposta, explicando os pontos a serem abordados no artigo teórico, os autores interessados têm até 20 de agosto para disponibilizar seu texto final ao PNUD. A proposta de texto deve ter até mil palavras, incluindo título, um parágrafo sobre o autor (ou autores) e descrição de como pretende tratar o tema. Já o texto final não tem limite de tamanho pré-estabelecido. Qualquer pessoa que tenha cursado ao menos uma graduação pode propor textos acadêmicos.
No caso dos relatos de experiências de projetos ou políticas direcionados à questão dos valores, o texto deve ter no máximo duas páginas. Todo o material (tanto teórico quanto prático) deve ser enviado para os e-mails flavio.comim@pnud.org.br e moema.freire@pnud.org.br, ou para o endereço do PNUD em Brasília. Mais detalhes sobre o formato dos textos podem ser encontrados nas chamadas no quadro ao lado. (Obs.: consultar o texto na página do PNUD http://www.pnud.org.br/administracao/reportagens/index.php?id01=3265&lay=apu )
"O que são valores?", "Quais são os valores dos brasileiros?" e "Como entender a formação histórica dos valores dos brasileiros?". Estas são algumas das questões para as quais os textos teóricos deverão buscar respostas. As organizações que desenvolvem algum projeto voltado ao tema e que forem selecionadas para participar do seminário devem ajudar nas discussões sobre a parte prática. "É possível alguma prática mudar os valores, as crenças ou as formas de agir das pessoas?", "Como trabalhar valores de modo local/comunitário?" e "Como trabalhar a relação entre valores e educação?" são algumas das perguntas que esperam receber respostas durante o evento.
O tema do relatório foi escolhido por meio de uma consulta à população - a pesquisa Brasil Ponto a Ponto - que contou com cerca de 500 mil respostas. As virtudes que mais apareceram foram respeito, justiça, paz e ausência de preconceito. Além delas, os assuntos educação e violência também foram mencionados por grande parte dos que responderam e devem entrar no relatório relacionados ao assunto central. Assim, terão preferência tanto os textos teóricos, quanto os relatos de experiências práticas que de alguma forma abordem estas questões.


Endereço do PNUD em Brasília: EQSW 103/104 Lt. 01 Bl. D -Sudoeste, 70670-350, Brasilia, DF, Brasil

Endereços eletrônicos: flavio.comim@pnud.org.br e moema.freire@pnud.org.br

 

Para brasileiros, país carece de 'valores'
Brasília, 10/07/2009

Pesquisa para definir tema do estudo do PNUD sobre o Brasil recebeu 500 mil respostas; maioria citou virtudes como respeito e justiça
MARIANA DESIDÉRIO
da PrimaPagina
Já está definido o assunto do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil. Por escolha da maior parte dos 500 mil brasileiros que responderam à pergunta "O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?", da pesquisa Brasil Ponto a Ponto, o tema do estudo será "valores".
Nas respostas à consulta, a falta de respeito, honestidade, amor, responsabilidade e de virtudes similares foi mencionada mais vezes do que questões como educação, segurança, saúde ou emprego. Para o coordenador do relatório, Flávio Comim, o resultado é surpreendente e só foi possível porque a consulta tinha uma pergunta aberta. Segundo ele, é a primeira vez que uma pesquisa desse tipo é feita com questão aberta, que permite que as pessoas escrevam a resposta que quiserem. A iniciativa é inédita - em nenhum outro lugar do mundo, o tema do relatório nacional feito pelo PNUD foi decidido dessa forma.
"As respostas abertas permitiram que as pessoas falassem o que quisessem. Não só o que deveria mudar para suas vidas mudarem, mas também os comos e os porquês daquilo", salienta Comim."Nas respostas, você vai encontrar problemas relacionados a saúde, educação, emprego. As novidades foram os comos e porquês. Este é o diferencial."
Os valores mais citados pelos participantes da consulta foram respeito, justiça, paz, ausência de preconceito, humanidade, amor, honestidade, valor espiritual, responsabilidade e consciência. Para o coordenador do relatório, isso "nos leva a um conceito novo de valores de vida: nem só morais ou éticos, nem só financeiros, são os valores praticados no dia-a-dia."
Dentre os 500 mil que contribuíram com o projeto Brasil Ponto a Ponto estão moradores dos maiores municípios brasileiros e dos dez com menor IDH, estudantes dos ensinos fundamental e médio, além de pessoas que deixaram sua resposta registrada no site da campanha, dos clientes das empresas TIM (telefonia) e Natura (cosméticos) e de quem se manifestou pelos sites dos canais de televisão MTV (cabo) e Globo. As empresas parceiras foram as responsáveis pelo grande número de participações obtido pela consulta, diz Comim. A organização da Brasil Ponto a Ponto esperava, inicialmente, 50 mil respostas.
Apesar de a consulta ter alcançado grupos bem diversos, Comim conta que os principais pontos levantados foram basicamente os mesmos. Nos primeiros lugares das questões mais objetivas (os pontos compreendidos pelo PNUD como "valores" vieram muitas vezes acompanhados de outras questões) estão educação e violência. Esses dois temas terão destaque no relatório. Comim conta que o que mais apareceu em relação à educação não foi uma demanda por mais conteúdo nas escolas, mas uma carência de que o espaço escolar também transmita valores aos alunos.
Sobre a violência, o que mais apareceu foram reclamações sobre a violência contra a pessoa - agressões, violência doméstica - em detrimento da violência contra a propriedade, como roubos e furtos. A conclusão que se tira disso, para Comim, é de que "o problema é muito maior. Significa que a sociedade resolve seus conflitos de forma violenta."
Terminada a pesquisa, que parou de receber contribuições em 15 de abril e teve os dados computados até meados de junho, o desafio agora é materializar o tema "valores". O relatório deve ser publicado até o início de 2010 e seu primeiro caderno abordará a experiência da consulta.

 

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